Arnaldo Argenta, um apaixonado pelo terroir e por uvas de qualidade, faz da Valparaiso, no Rio Grande do Sul, uma das boas apostas de vinhos no Brasil.
Se você está no time dos que já entraram na onda dos vinhos com pouca intervenção, precisa conhecer a Valparaíso. Situada em Barão, na Serra Gaúcha, a vinícola vem se destacando pela ousadia em produzir vinhos sem o uso de agrotóxicos nos vinhedos e com uvas pouco conhecidas no Brasil, como a Rondinella, a Pinot Grigio e a Moscato de Alexandria.
Arnaldo Argenta, seu comandante, é engenheiro agrônomo apaixonado pela profissão e, em sua carreira, sempre focou na uva.
A paixão pelo vinho vem de seus antepassados italianos, que já cultivavam uvas e fabricavam vinhos de forma artesanal, para consumo próprio. Em 2006, Arnaldo comprou a atual propriedade, que, na década de 1970, foi considerada, em extensão, a maior plantação de uvas
no Brasil. Ele investiu nos vinhedos e nas técnicas de produção, o que tornou a Valparaiso uma propriedade modelo na região. O que começou como hobby, tornou-se negócio sério depois que seus vinhos começaram a ter o reconhecimento do mercado. Com isso,
sua filha Naiana, que considerava quase insano o trabalho de seu pai, por ocupar sua vida os sete dias da semana, começou a se interessar e, claro, também a se apaixonar e entrar de cabeça no negócio.
“Sou da área de Comércio Exterior, puro mundo corporativo, mas abandonei tudo por ficar encantada com esse universo”, afirma Naiana Argenta. “Hoje, minha luta é tornar seu trabalho conhecido e mostrar em vida que faz sentido toda a dedicação dele.”
Atualmente, a propriedade conta com 60 hectares, sendo 7 deles de vinhedos, com o diferencial de adotarem o Sistema de Produção Protegido. Nessa técnica são colocados filmes plásticos especiais que recobrem os vinhedos, protegendo-os do excesso de umidade, o que leva a reduzir a incidência de doenças, prescindindo dos tratamentos fitossanitários, com menor resíduo químico e uvas mais sadias, maturação uniforme, permitindo a colheita no ponto ideal, e com menos consumo de água. “Além disso, usamos algumas práticas biodinâmicas, como a adubação verde entre as fileiras, para deixar a biodiversidade mais rica”, diz Arnaldo. “Também não somos orgânicos certificados, estamos em processo de eliminação do único fungicida que usamos para oídio, mas já vamos além, já que não usamos cobre e enxofre.”
No entanto, há muitos outros cuidados. A Valparaíso utiliza leveduras selvagens e ao redor dos vinhedos estão plantadas outras culturas, como as de maçãs, pêssegos, ameixas, além de oliveiras.
Variedades diversas
Os vinhedos estão divididos em pequenos lotes de uvas, com produção limitada, e nove variedades. Estão lá as tintas Nebbiolo, Rondinella, Pinot Noir e Sangiovese, as brancas Pinot Grigio – que resulta em um delicioso vinho laranja – a Garganega, a Moscato de Alexandria, a Torrontés e a Chardonnay. “Meu pai projetou um sonho puro, sem conhecer nada do mercado. Era natural produzir dessa maneira”, diz Naiana, lembrando-se.
A produção está na casa das 30.000 garrafas por ano de vinhos puros, únicos e que merecem ser conhecidos e, claro, receber nossos aplausos.
Fonte: Matéria da Revista Sabores da Mesa, escrita por Ricardo Castilho.






